Como uma cidade de Israel virou a capital mundial da cibersegurança

Tudo isto antes era areia. Os camelos ainda descansam ao sol nas margens da estrada que conduz a Beersheva, principal núcleo urbano do deserto do Negev. Esta cidade, 110 quilômetros ao sul de <a href=”https://brasil.elpais.com/tag/tel_aviv/a”>Tel Aviv</a>, é considerada o <a href=”https://brasil.elpais.com/tag/silicon_valley/a”>Vale do Silício</a> do Oriente Médio. Representa a prova física e arquitetônica do que conseguiu o setor de cibersegurança em <a href=”https://brasil.elpais.com/tag/israel/a”>Israel</a>: 10 edificações novas em cinco anos. Em Beersheva foram construídas no deserto, partindo quase do zero, as instalações necessárias para abrigar as milhares de mentes que têm de defender o país. Estas instalações pertencem tanto à Universidade Ben-Gurion do Negev, grandes empresas e <em>startups</em>, como ao Governo e ao Exército. Entre estes quatro atores foi criado um ecossistema de inovação no qual se compartilha informação e objetivo: transformar Israel na grande referência da <a href=”https://brasil.elpais.com/tag/seguridad_internet/a”>cibersegurança</a>. Esta missão acelerou o aparecimento do que já se perfila como o debate do futuro: segurança versus privacidade.

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“Começamos a nos preocupar com a cibersegurança quando ninguém fazia isso. Há 30 anos já a definíamos como a quarta fronteira a defender. Do mesmo modo que você precisa de pessoas para defender terra, mar e ar, também quer gente que defenda das ciberameaças. A única parte boa dos ciberataques vividos agora no mundo é que demonstram que tudo isto não é ficção científica”, conta Roni Zehavi, CEO da CyberSpark, uma das líderes do ecossistema de cibersegurança criado em Beersheva. Faz referência ao <a href=”https://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/14/internacional/1494758068_707857.html”>WannaCry</a> e ao <a href=”https://brasil.elpais.com/brasil/2017/06/28/tecnologia/1498639459_556568.html”>Petya</a>, os dois últimos ciberataques que afetaram hospitais, Governos e grandes empresas de todo o mundo. Esses <em>malwares</em> infectaram os sistemas de milhares de equipamentos – através de uma vulnerabilidade encontrada no Windows –, criptografaram a informação que havia neles e pediram um resgate para que fosse recuperada. Nos ataques de <em>ransomware</em> a quantidade a pagar costuma ser pedida em <a href=”https://brasil.elpais.com/tag/bitcoin/a”><em>bitcoin</em></a>, a moeda virtual, e normalmente não é muito alta. Mas ainda assim os especialistas afirmam que se trata de ataques muito baratos para preparar e muito caros para responder.

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O mercado da cibersegurança já movimenta mais de 225 bilhões de reais por ano em todo o mundo. Quase 10% do total, 22 bilhões de reais, é faturado por Israel, segundo o professor Isaac Ben-Israel – um dos ideólogos por trás da revolução cibernética que o país está vivendo. Dessa cifra, cerca de 13 bilhões de reais provêm das exportações de produtos e sistemas de segurança, explicou Achiad Alter, chefe de cibersegurança do Instituto de Exportações de Israel. O restante vem de vendas internas.

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